CARIOCA VIRTUAL




marcos carioca

[Paula Ribeiro/Ag. Anhangüera]

A troca de alianças entre duas mulheres em frente à Catedral marcou o encerramento da manifestação do Dia Municipal Contra a Homofobia no Centro de Campinas.

Após dois anos e quatro meses morando juntas, a psicóloga Maria Amélia Moreno Manarini e a vendedora Fernanda Cristina Praga decidiram trocar alianças no dia do evento contra o ódio, aversão e intolerância contra lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais. “Nunca sofremos preconceito direto, mas indireto sim. Uma piada ou um comentário no trabalho já é preconceito”, explica Amélia.

O casal teria trocado alianças em outro dia se a jóia não tivesse ficado larga. “Calhou de ser hoje. Fomos buscar a aliança depois de ajustada aqui mesmo na Rua 13 de Maio e decidimos trocá-las aqui em frente à igreja no final da manifestação”, completa Fernanda.

Hoje foi a primeira vez que Campinas comemorou a data comemorada em todo o mundo oficialmente. O Dia Municipal da Luta Contra a Homofobia foi instituído pela lei municipal nº 13.285, de 8 de abril de 2008. “Esta lei é importante porque marca a data no calendário do município. Pretendemos fazer o ato todos os anos para conscientizar as pessoas de que discriminação é crime. Muita gente vinha perguntar o que era homofobia. Pessoas saíram de dentro das lojas justamente para pegar panfletos e nos dar apoio”, explica Paulo Mariante, do grupo Identidade, um dos organizadores da manifestação que reuniu cerca de 50 pessoas.

Para ele, as pessoas estão mais conscientes da homofobia, mas alerta que a caminhada ainda é longa para que o grupo GLTTB (gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais) ainda está longe de ser aceito pela sociedade. “O grupo Identidade existe há dez anos e neste tempo ainda não se passou nenhum ano sem que testemunhássemos algum tipo de violência contra o grupo GLTTB. Tudo pode começar com uma simples piada, mas pode acabar com um assassinato”.

A falta de estatísticas oficiais é um exemplo claro da homofobia, critica Mariante. Segundo um levantamento produzido pelo Grupo Gay da Bahia, a cada dois dias uma pessoa é assassinada no Brasil por se enquadrar no grupo GLTTB.

*Reprodução na íntegra de matéria publicada ontem (17/5) no jornal Correio Popular de Campinas.

*Agradecimento: ao advogado Paulo Mariante (Coordenador Adjunto de Direitos Humanos do Identidade - Grupo de Ação Pela Cidadania LGTTB) que me encaminhou esta matéria. Contatos com Identidade - Grupo de Ação Pela Cidadania LGTTB, acesse o site: www.identidade.org.br




marcos carioca

E hoje tem festa no céu…” - era assim que a minha avó começava a me contar que alguém muito especial partiu. Sutileza e respeito absoluto. E de fato, ela nunca esteve errada com sua introdução, pois se há mesmo um lugar para onde todas as almas (ou energias) se vão depois que deixam este mundo, este lugar deve mesmo festejar a sua chegada!

No caso da genial escritora Zélia Gattai (a mulher que fez Jorge Amado “arriar a sua bandeira e pedir paz”), haverá uma festa literária. Já vejo o velho Jorge a recebendo todo sorridente, como quem recebe a visita de um parente que vem de longe e, no entanto, sempre esteve bem perto.

Zélia nos deixa aos 91 anos. Estava há 31 dias internada se recuperando de um pós-operatório de uma laparotomia para desobstrução intestinal. Mas também nos deixa 15 obras grandiosas e o desejo de nos encontrarmos em suas páginas. Seu corpo será cremado e as cinzas espalhadas na antiga casa do Rio Vermelho, assim como os familiares fizeram com o patriarca. A casa em Salvador foi morada de Zélia e Jorge Amado por 21 anos. Em 1999, virou título de um livro de memórias da Imortal - A Casa do Rio Vermelho.
Não há motivo para tristezas, porém há espaço para um sentimento: nunca teremos outra mulher como Zélia. Mas lá no céu ela será eterna, como aqui são eternas as suas palavras.

Nos encontramos em breve, senhora das palavras!

Clique AQUI!

*fotos: Agência O Globo e Zélia Gattai




marcos carioca

Evandro Angelo e Luiz Amaral comemoram 10 anos de uma história que deve ser festejada como se fossem bodas de ouro. Afinal, não é para qualquer um.

Viver tantos anos com alguém exige estudos profundos e revelações (apenas pros dois) sobre o abstrato, o inexplicável, o impublicável e o absolutamente secreto. Pede-se sabedoria e entendimento de álgebra. Aprendizado para nunca cobrar além, ou ficar devendo. É como ter na ponta da língua todas as fórmulas químicas, ou conhecer todos os idiomas e dialetos.

Viver tanto tempo juntos é como jogar Paciência. É a mão do escultor na argila. Exige reinvenções e buscas. Pede entendimento da rotina e discernimento sobre o que é monótono. Cobra regras. Pede boca calada quando se quer berrar e ouvidos atentos quando se quer dormir.

E quando se tem mais no outro que somente um amor… quando tem-se um marido e um colega de trabalho, a tarefa se torna ainda mais perigosa. Tem sempre uma discurso que se engole a seco. Há sempre dias de tempestades, que devem ser compensados com muita água de coco e uma praia paradisíaca.

Mas se depois de um dia cansativo, ainda sentirem a necessidade de deitar lado-a-lado se olhando como se fosse a primeira vez… aí sim valeu a pena! Porque vale muito a pena dormir silenciosamente e despertar satisfeitos, juntos e prontos para novos desafios.

Felicidades ao casal.
Com toda a minha admiração e respeito, sugiro um brinde aos próximos dez anos!

*foto de Ida Feldman



 

 
 
 
 
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