CARIOCA VIRTUAL




marcos carioca
Clubes, Dicas, GUIA, São Paulo, Uncategorized, agenda, gay— - 11:55 pm 13 August, 2008

Em 1993, a X-Demente (então Val-Demente) reinventava a cena gay no Brasil, criava moda, comportamento e novos sinônimos para tudo que já existia. Os gays saiam dos inferninhos para um grande caldeirão, mas ali também mais que homossexuais, abraçava-se a diversidade e o mundo das celebridades. A grande mídia começava procurar entender que fenômeno era aquele.

Onze anos mais tarde, André Almada inaugurava seu clube The Week em São Paulo, bebendo francamente (embora ele busque encobrir as referências) em toda a cultura e obra de Fabio Monteiro. Construia-se enfim uma cena gay club/barbie forte em São Paulo. Claro que Level e todos as outras casas anteriores já tinham buscado (e até conseguido) isto, mas na The Week viu-se renascer alguns comportamentos: a importância das aparências, o ressurgimento do velho culto aos vips e a soma de muitas fórmulas já testadas de sucesso, que resultariam em um espaço “inovador”. E conseguiu. Quatro anos passados, a The Week é sim uma referência para a noite nacional - de certa forma, internacional, também. O velho buffet de paredes brancas superou o titulo de “boate” e inaugurou a era dos clube no país (mega clube). Ousou ao romper com a “quarta parede”, misturar os inferninhos com o estilo rave (fundado pela X) e impôr um projeto arquitetônico que unia as áreas internas e externas em um mesmo ambiente. Da mistureba (levantanda cautelosamente para surpreender e, ao mesmo tempo, passar a impressão de que algo totalmente novo era desenhado, além de uma boa lavagem cerebral nos seus frequentadores) nasceu e se fortaleceu um pequeno império que sempre fez de tudo para não perder a majestade e abafar as cabeças que ajudou a cortar. Mas o grande diferencial veio mesmo na maneira de atender os clientes e na forçada simpatia de seu proprietário entre os habitués, logo depois virando tendência beijar-lhe as mãos para se alcançar o olimpo: a sala vip.

Muitos problemas e queixas vieram. Mas nunca, nestes anos todos, o clube se mostrou tão caido na preferência geral como agora em 2008. Não inclua ai os admiradores de plantão, os aficcionados e os que estão ali batendo carteirinha (seja vip ou gold member ou no descontão)!

Ao repetir as fórmulas todas (ainda que com pitadas inovadoras), a TW herdou também o estilo musical mais pobre que a cena gay já teve, o tribal e ficou nele, sem aumentar nada na educação dos ouvidos de seus frequentadores. Por outro lado, vimos djs como João Neto e Pacheco crescerem absurdamente e forçarem uma linha menos “bate-cabelo” na pista do clube, enquanto Renato Cecin (que tem o mérito de ter trazido a cena gay americana para cá!) enfraqueceu.

Na sua necessária, grandiosa e positiva mania de sempre buscar mais e o novo para o seu empreendimento, André Almada criou a segunda pista de seu clube. Uma pista menor. Primeiro tinha a idéia de repetir ali a experiência tão consistente e positiva vivida na X-Demente, que sempre manteve uma pista menor e diferenciada, mas o jeito como começou a coisa já mostrava que daria em pizza. O projeto ” A Malvada” trazia a cara da D-Edge para dentro da TW. Não só a cara musical como uma parede de luzes claramente chupada do clube de Renato Ratier. Não deu certo! Se quisesse uma D-Edge, o povo ia para a original. Assim como funciona hoje: se eu quero uma The Week, eu vou na própria, porque ir até a cópia (uma afirmação que sempre esteve no discurso do André Almada com relação aos seus concorrentes).

Meses passaram e a pista dois se transformou na área para o público da Blue Space e da Danger. Djs bons foram depositados ali, como o Morais, e outros nomes começaram a se qualificar por aquele cantinho, como a ex-hostess e atual dj Grá Ferreira. Mas também foi a maneira encontrada pelo Almada para fixar  todos os talentos (e outros nem tão talentosos assim!) da cena gay paulistana em seu clube. Ganância que só ajudou a enfraquecer este segmento.

Passado todos estes anos, o que se houve em qualquer rodinha de amigos, inimigos, admiradores ou nulos a respeito da The Week é uma unanimidade: o clube está caido! Quem ainda pisa por lá é por inércia. Veja a festa de 1 ano da filial carioca, a mesma cara de qualquer noite. Nem os adereços do Gringo Cardia serviram para alguma coisa. Claro que sempre há e haverá a turma do “está tudo perfeito, ótimo e tal”, afinal tem os que querem garantir a entrada vip, outros que são amigos (e sem amigos a The Week não seria nada), os que não entendem meia frase do que escrevi aqui e uma boa massa de “maria vai com as outras; sem esquecer a turma dos deslumbrados.

Mas parece que, apesar de não concordar e nem assumir em público (e alguém acha que algum dia assumiria? mesmo que a casa viesse abaixo - coisa que acho dificil que um dia aconteça - estaria como os políticos sempre negando e sorrindo), Andre Almada também percebeu que precisa mais do que sua habitual simpatia e cara de bom-moço-ofendido-com-as-opiniões-alheias para dar fôlego para mais uns anos de casa. Aliás, em muito breve ele estará também trocando os cartões de acesso ao clube. Sai o gold e o platinum e entra os cartões prata, ouro e diamante (acho que é isso!). E o diamante será um cartão dado para poucos (amigos, celebridades e habitués) e que será vendido por algo como R$5 mil, dando ao seu proprietário várias vantagens (como estacionamento gratuito, por exemplo, e direito a acompanhante). E,  convenhamos, quem compra um título (porque isto é tipo as antigas “jóias” dos clubes) está fazendo uma aposta em algo durável. Então está mais que na hora de fazer a coisa ser mais duradoura, pois acho que se a TW entrasse para a bolsa de valores hoje, seria a última opção de investimento recomendada por um consultor responsável.

E este fôlego vem nas comemorações de quatro anos da casa. DE LONGE A MELHOR PROGRAMAÇÃO DE TODOS OS TEMPOS NO CLUBE!

André Almada finalmente despachou Peter Rauhofer e Offer Nissin na encruzilhada, colocou por lá também as cantoras de meia-tigela, Debora Cox e Kristine W, e acendou uma vela para cada um de seus santos inspiradores, que responderam com boas idéias.

O resultado é Junior Vasquez, Juanjo Martin, Antoine 909 e duas cantoras que merecem todo nosso respeito, admiração, presença e aplausos - MUITOS APLAUSOS! Amber e Zelma Davis são o supra-sumo desta temporada de aniversário. Eu sou a pessoa mais contrária a shows de cantoras em clubes, mas quando falamos de duas estrelas da música mundial, simplesmente a coisa sobe de patamar.

Zelma é, desde 1990, simplesmente a voz do C+C Music Factory, assim como Martha Walsh (também Black Box), e Amber é uma das mais belas vozes da europa - Holandesa de nascimento, criada na Alemanha -, além de excelente compositora, e intérprete de grandes hits, como This Is Your Night, One More Night, If You Could Read My Mind, Sexual (Li Da Di), Yes!, Above the Clouds e You Move Me. Juntas desde 2004, quando se apresentaram em pleno verão nos Estados Unidos na semana do orgulho gay de Milwaukee, regravaram em 2007 o sucesso dos anos 70, No More Tears (Enough Is Enough), que foi hit nas vozes de Donna Summer e Barbara Streisand - duas divas que as inspiram.

A opção de valorizar o casting da casa no dia de aniversário do clube, programando-os para a mesma noite em que as cantoras se apresentam é uma proposta inteligente e positiva. Afinal, não corre o risco de encaixar um Offer Nissin da vida e detonar com o pocket-show de duas estrelas, além de engrandecer o dreamteam e incentiva-los a brilhar mais ainda. Promete MUITO esta noite do dia 13 de setembro!

André Almada também acerta a mão na escalação dos gringos que animarão os sábados e domingos de setembro. Talvez peque em realizar todas as festas em seu próprio espaço. Claro que se trata de economia. Sua ganância é grande, mas ele é empresário e sabe que produzir uma Girassol fora de grandes temporadas nacionais é arriscado e, por mais que pareça lugar comum, soube equilibrar com uma excelente escalação.

Juanjo Martin (acima) é uma das caras do Matinee Group, na Espanha. Dono de uma case recheada de prog house e eletro. Sua agenda está reservada para o Brasil de 6 a 8 de setembro. Dia 7, ele desembarca na Nova PoolParty. Será que a TW carioca receberá o moço na noite anterior? Uma coisa é certa: será um final de semana dos sonhos. Na madrugada de sábado para domingo, o deus Junior Vasquez estará no comando.


No dia 28 de setembro, o convidado para a última edição da Girassol fechará com chave de ouro a festança que o clube promove - Antoine909. O cara é um inglês bonitão, um sucesso mundo a fora há mais de 10 anos e residente do clube Crash em Londres. Só para ter uma idéia do peso do cara, podemos encontrar seu som tribal (um tribal de verdade, não estes bate-panelas que muitos tocam por aí!) em coletâneas de poderosos dj/produtores como Steve Lawler e John Digweed. Quer mais? Só indo ouvir pessoalmente!

OUÇA AQUI!

O lineup internacional se completa com a dupla Freemasons (perfeita!) e o velho Tony Moran, que dará a pitada tribal que agrada as massas menos preocupadas com riquezas sonoras e atenta ao bom som que faz a quimica funcionar.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE AS FESTAS NO SITE WWW.THEWEEK.COM.BR OU AQUI!



 

 
 
 
 
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