Que Ana Carolina que nada!
Só tem duas mulheres que mexem comigo - musicalmente, claro - no cenário brasileiro: Zelia Duncan e Mart’ nália. Esta última então, eu sou muito fã.
E depois de semanas de muito trabalho, vou aproveitar minha primeira noite de sexta-feira livre desde 4 de setembro indo ao show da minha amada carioquinha de Vila Isabel.
Martinha, ai vou eu!
So happy!!!!!!!
Sauna 269 oferecerá serviço de transporte da balada direto para o vapor LEIA MAIS…
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Pronto, agora todas já podem se jogar sem ter que se preocupar com a volta pro lar-doce-lar (rs). Já vejo as bees pedindo pro moço dar uma paradinha em Santa Cecília. Mas se alguma perder o ponto de casa, pode tranquilamente ir direto para a 269 e tirar um cochilo (ou o atraso da noite) por lá!
Eu adorei a idéia. Ainda mais agora que sou vizinho da 269. Nem preciso mais de carro ou taxi pra voltar, basta pegar o ônibus.
Adorei a campanha 2008 do 16o. Festival de Cinema Mix Brasil.
Acho que é o mais maduro e criativo de todos.
O filme abaixo é pura diversão e qualidade.
Estou ansioso para ver alguns títulos desta edição. Falarei em breve sobre isto!
Por enquanto, uns bons dias longe do cinema para curar meu cansaço após semanas dedicadas a Mostra. E o trabalho segue: Nokia Trends vem ai. E já estou na batalha! Também conto mais depois.
Mix Brasil perguntou: “Qual o segredo?”
Ator hétero (foto) que só faz passivo em filme pornô, respondeu: “Não sei explicar bem, tenho facilidade mesmo em fazer sexo anal, não importa o tamanho. Nem xylocaína eu passo. Acho que o segredo é concentração, relaxamento e determinação. Vou laceando, laceando, até que entra tudo. E como faço pompoarismo anal, consigo fazer até arremesso de consolo. Coloco para dentro e depois jogo longe.”
UM CONE DE TRÂNSITO!?! HAJA PROFISSIONALISMO, HEIN!
É, CAROS LEITORES, EXISTE MUITAS SURPRESAS NESTA VIDA…
Um estudante de jornalismo da Universidade Federal do Ceará, Bruno Pontes, publicou em junho, no jornal cearense O Estado (e também em seu blog), um artigo a respeito da parada gay, no qual ele opina sobre o orgulho gay:
“O sentimento (orgulho gay) me parece tão bobo quanto o orgulho de ser cearense. Minha condição de cearense se deve unicamente ao fato de minha mãe estar aqui na hora do parto. Orgulho eu teria e tenho de ações planejadas e executadas com mérito próprio: escrever um artigo objetivo, pesquisar e descobrir a cura de alguma doença, repetir o que meus pais fizeram e criar meus filhos direito. Não consigo ver orgulho onde não existe escolha nem mérito, enfim. E homossexualidade, é o que a ciência indica e a razão deduz, não é escolha nem mérito. Orgulho gay, vendo deste ângulo, é o mesmo que orgulho de ser alto. Clodovil fala melhor do que eu: “Não tenho orgulho de ser gay, mas de ser quem eu sou”.(…) Resumo da parada: o orgulho é besta, a reivindicação é infundada, e todo mundo paga a conta.”
Já o jornalista João Ximenes Braga, em crônica publicada no jornal O Globo dia 18 desse mês, na qual investiga o orgulho de ser suburbano, faz a seguinte comparação:
” O orgulho de ser suburbano é a mesma coisa que o “gay pride”! Muita gente boa não entende a expressão por não ver razão pra orgulho nas práticas sexuais em si, mas “orgulho gay” não se refere a elas, e sim ao mérito de superar preconceitos e viver sem vergonha de ser o que é. Da mesma forma, quando se fala em orgulho de ser suburbano, o que está subentendido é não ter vergonha das origens, o mérito é manter a cabeça erguida enquanto a galera do 9 tira sarro da sua farofa. São combatentes, uma minoria que venceu preconceitos…”
Benicio Del Toro e Rodrigo Santoro foram o foco das atenções de dezenas de jornalistas, fotógrafos, curiosos e todos que estiveram nesta manhã no Unibanco Arteplex, no Shopping Frei Caneca, esta manhã.
UM LOUCURA!
Assim ocorreu a coletiva de imprensa sobre do filme CHE, de Steven Solderberg, que estreou nacionalmente na 32a Mostra Internacional de Cinema.
Além de beleza bruta e masculina Benicio exibiu muita simpatia e bom humor. Santoro idem. E depois de quase 3 horas de bate-papo e perguntas-e-respostas se foram. Del Toro foi direto para o hotel descansar um pouco e enfrentar uma bateria de entrevistas armadas pela distribuidora do filme no Brasil, a Europa Filmes.
O que se falava nos bastidores da coletiva é de uma possível farra feita por Benicio na noite anterior, o que lhe garantiu a cara de cansado e o atraso na chegada na coletiva. E também muito se comentou sobre Benicio ser gay. EU NUNCA OUVI ISSO! SERÁ!?! Seria um companheiro e tanto, viu! (rs)
Eu amo Björk de paixão e não apenas pelo trabalho musical da mulher, mas por sua postura ativista sempre do bem, quase um Mobi de saias (ok, ok, essa foi péssima). O novo single/video Náttúra não é só mais uma música da cantora islandesa com Thom Yorke, do Radiohead, como convidado especial. Trata-se de um projeto de defesa do meio-ambiente bem interessante, cujo fundo será alimentado pelo dinheiro arrecadado com a venda da música na internet.
Nesta entrevista abaixo, dada à AP, Björk explica um pouco o projeto. Quem quiser saber mais, clica aqui.
Eu não acredito em Papai-Noel, Anjo da Guarda, nem no que dizem muitos (MUITOS!) políticos por ai, mas uma coisa tenho plena certeza: faltam terroristas no Brasil.
Não falo de gente louca que se explode por qualquer seita ou fé, mas gente consciente de seus direitos que exige na raça o que é seu. Somos uma nação de covardes. Me incluam nisto! E, por isto, o Brasil é assim…
Veja meu caso na data de hoje: estou desde muito cedo (isto porque não considero o dia 15 de outubro - quando comecei este processo todo de fato) tentando cancelar a NET a cabo e acreditava que desde o dia 15 o cancelamento do Net Fone e Net Virtua já tinham sido solicitados - tenho protocolo e tudo! Mas hoje, além desta dificuldade imensa de cancelar o serviço de tevê, descobri que a minha solicitação com data de retirada agendada para esta quarta-feira, 29, não foi reconhecida no sistema. Imagina!
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Vamos do início para que todos possam entender.
Estou me mudando, portanto preciso cancelar uns serviços - na verdade seria uma suspensão seguida de transferência, mas preferi aproveitar e me livrar da NET (!) -, assim solicitei a retirada dos meus serviços de fone e internet da NET no dia 15 de outubro. Eles me avisaram que o serviço continua sendo contado até a data em que o equipamento é levado.
OK, desde que ele retirassem no dia seguinte. NÃO!!!!! Eles só teriam agenda para o dia 29. Ou seja, eu não quero mais um serviço e por culpa da agenda deles devo continuar pagando mais 14 dias sem querer.
Tsc! Vai, aceitei. Fazer o quê!?!
Hoje, quarta-feira, 29 de outubro, deixei uma pessoa em casa só para cuidar disto. Será que alguém irá comparecer no dito horário comercial da NET: entre 08h e 20h???
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Então hoje também decidi solicitar o cancelamento da televisão a cabo e a retirada (DE UMA VEZ POR TODA DA MINHA VIDA!!!) do equipamento em meus 3 pontos.
Depois de passar por muitos, muitos, muitos MESMO, atendentes idiotamente treinados com seu gerundismo absurdo e lerdeza e perguntas típicas de gentinha do tipo que trabalha em telemarketing. Depois de ir da profunda calma, a calma contralada até a explosão… depois de chamar a atendente de analfabeta, mula, “só pode ser uma anta, porque quem em sã consciência aceitaria trabalhar em telemarketing e trabalhar logo para NET?”, e lamentar que ela tenha tido “este fim triste e que graças a deus eu tive mais sorte na vida porque não sou operador de telemarketing”. Depois de todos os depois e de muito ouvido queimado em telefones fixos e móveis, eu descubro que minha solicitação do dia 15 não consta no sistema deles, apesar de eu ter um número de protocolo (a vida tem tantos…).
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Quando você tenta cancelar algo é sempre o mesmo discurso: qual o motivo? não quer passar o serviço para alguém? Transferir para seu novo endereço: o senhor é um cliente ótimo, teremos ótimas promoções para o senhor.
- Minha filha, uma empresa que é tão complicada para atender uma simples solicitação de cancelamento, não deve ser boa para nada.
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Depois de 14 dias e hoooooooras de tentativa, finalmente consigo, PELO MENOS, suspender os serviços e recebo uma promessa de que ainda hoje me ligam para passar a data da visita do técnico da NET para retirada dos equipamentos. VOCÊ ACREDITA EM PAPAI-NOEL?
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Por isso que digo, FALTAM TERRORISTAS DE RESPEITO NESTE PAÍS!!!!!
Se tivesse um tiquinho mais de coragem, eu seria um. Um marginal sequestrador, torturador dos bons. Mas meus alvos não seriam gente sem sentido. Nunca faria mal a Elóas! Minhas torturas seriam com presidentes e alto-executivos de empresas como NET, Vivo, Tim, etc.
Por exemplo, colocaria o majoritário da NET preso numa sala gritando até desligar o receptor de tevê - sabe aquela pegadinha de matar formiga a grito. Isto!
Prenderia o gerente de atendimento da Tim numa sala com eco e faria eles tentarem cancelar uma linha pós-paga da companhia… pelo telemarketing, claro!
Isto! Tortura. Humilhação. Demora e maus tratos. Só gentilezas… QUEM SABE NO FINAL PERCEBESSEM QUE SOMOS SERES HUMANOS, MAIS DO QUE CLIENTES!
Somos todos um pouco taxistas: adoramos opinar sobre os grandes assuntos. Entendemos de tudo, desde nossa polícia não ter as técnicas da SWAT até o ator da novela ser ruim e amante do autor. Sobre política, então, às vezes parece que todo mundo nasceu pronto para assumir o cargo de prefeito e dar um jeito no caos da cidade.
Opiniões e críticas são exercícios saudáveis e democráticos, servem para a sociedade gritar seus anseios, desejos e necessidades. Mas e se essas vozes forem apenas lampejos de esperança?
Em seu livro ‘A felicidade, desesperadamente’, o filósofo francês André Comte-Sponville, explica a diferença entre esperança e vontade:
“Esperança é desejar o que não depende de nós; vontade é desejar o que depende de nós. Esperança é esperar ou lamentar. Vontade é querer e agir.”
À sombra de Einstein, os físicos quânticos dizem que o mundo material é criado por nós, e que enxergamos apenas o que acreditamos ser possível. A cada dia decidimos e materializamos, consciente ou inconscientemente, os acontecimentos que vamos vivenciar. A vida é o reflexo dos nossos desejos.
E, por trás do desejo, está aquilo em que acreditamos. Sem acreditar, não se materializa.
A internet, virtual por condição (”existente apenas em potência ou como faculdade, não como realidade ou com efeito real”: Houaiss), abriga discursos dos mais variados. Nos sites e blogs gays, encontra-se desde o mais visível ativista até o mais anônimo gay-no-armário. É o paraíso gay virtual.
Mas até onde somos apenas taxistas internautas, cheios de opiniões virtuais que não passam de lamentação, e que não afetam o cotidiano, as nossas escolhas, a nossa realidade, sendo apenas meros puxadores de assunto enquanto vamos de lá para cá pela vida?
Envie o primeiro spam com vírus quem nunca sentiu aquela vontade cega e magoada de infernizar virtualmente a vida de um desafeto.
E foi o que fez uma japinha de 43 anos. Está na FolhaSP: descartada pelo marido virtual que mantinha no jogo on-line MapleStory, se vingou do cara apagando o perfil dele.
E foi presa! Na vida real. O crime: acessou um computador ilegalmente e manipulou informações - usou o login e a senha do marido virtual para deletar o avatar dele. Se condenada, pode pegar até cinco anos de prisão ou uma multa de US$ 5.000.
A japonesa carente resolveu praticar sua fukushuu (vingança) e sifu.
Se a moda pega por aqui, vão ter que abrir uma delegacia só pra fukushuu online.
Gilberto Kassab, nossa prefeita perfeita (rs), deverá assinar um termo de compromisso garantindo que não deixará a prefeitura de São Paulo antes de cumprir todo o seu mandato. Lembro que José Serra assinou o mesmo compromisso e acabou, dois anos depois de eleito, largando tudo por ai e virando Governador e assim nasceu o Kassab.
Quem é mesmo o vice desta vez? É bom, então, já irmos nos acostumando com seu nome e seu jeito porque logo-logo, quem sabe, não será ele o nosso novo prefeito…
Para quem gosta de comics, “The Hair-Raising Adventures of Jayms Blonde: Project Popcorn” traz um novo super-herói, Jayms Blonde, um agente secreto disfarçado de cabeleireiro.
Junto a seu fiel podólogo, Precious Needmoore, lutam para salvar o planeta de “bad hair” e “bad air”. Usando mousse à prova de balas, secadores de cabelos Uzi e bobs-de-cabelo-granadas, eles fazem da missão de salvar o mundo algo fabuloso.
Um dos filmes de temática gay que mais fez minha cabeça na adolescência foi “Os rapazes da banda” (”The boys in the band”), filme americano de 1970, dirigido por William Friedkin com roteiro de Mart Crowley baseado na peça off-Broadway do próprio Crowley. Quando o filme passou no Rio, no início da década de 80, eu e um grupo de amigos ficamos entusiasmado em ver, pela primeira vez, uma história sobre gays (o filme se passa numa Nova York pré-Stonewall) que não exibia os gays como figuras ridículas, cômicas ou predatórias. Pela primeira vez, a gente se via na tela, um pouco em cada um dos nove personagens.
A história gira em torno de uma festa organizada em homenagem a um amigo do grupo aniversariante que conta com uma inesperada visita: um amigo careta do dono da casa, em crise no casamento, aparece no meio daquele bando de bees, incluindo um go-go micheteiro que vem a ser o presente do aniversariante.
Bem, não vou dar uma de spoiler e vou direto ao que interessa. Durante muito tempo eu busquei nas lojas de DVDs do Brasil e do exterior algum sinal deste filme até que fiquei sabendo, através de um amigo, que o filme será lançado finalmente em DVD no próximo dia 11 de novembro nos EUA. Trata-se de uma peça fundamental na DVDteca de qualquer bee com o mínimo de cultura cinematográfica. Se as FNACs e Americanas da vida não levarem o lançamento para o Brasil, nem pense em não usar seu cartão na Amazon, apesar do dólar histérico.
Na noite de ontem (26), a cantora Gwen Stefani foi flagrada saindo de uma festa de Halloween, em West Hollywood, vestida de ovo frito.
Ahn!?!
Detalhe: seu marido, o roqueiro Gavin Rossdale, foi fantasiado de bacon frito.
E, segundo o blogueiro Denerval Ferraro Junior, do Salada de Frutas, o filho do casal teve que bater muito o pé e evitar sair de torrada. (rs)
Criativos, hein! Mas que tipo de Halloween é este? Uma noite do terror gastronômico?
*fonte: salada de frutas
Diretamente do Made In Brazil, os gêmeos Vitor e Vinícius Emerick.
Se eles são assim hoje, imagina com mais 10 anos. Vitor então…
Acho que a idade está mesmo chegando, estou olhando com olhos mais atentos para os menininhos…
Duas amigas se encontram no ponto de ônibus vindo da zona leste. Assim como todas as segundas de manhã.
-Eae, Gis. Votou em quem: na vaca ou no viado?
-Ora, na vaca, pelo menos ela dá leite…
Acordei de bode. O Brasil retrocedeu absurdamente nestas eleições. Gabeira perdeu no Rio, Marta em São Paulo e em muitas capitais e cidades importantes a vitória foi parar nas mãos de gente do mal, herdeiros de devoradores da sociedade e até Porto Alegre, que sempre me pareceu a cidade mais politizada do país, mostrou que isto já não faz mais sucesso. Enquanto os EUA caminham para um futuro mais promissor, o que vejo no Brasil é um bando de gentinha ressuscitando e filhotes do Demo sendo elevado a salvador da pátria.
E não, não mudei minha posição. Nunca disse que sou contra PT ou Marta, mas afirmei e repito que não suportei a pisada feia de bola deles, acho que mereciam pagar pelo que fizeram, mas entre me atirar na jaula do leão e ser devorado pelas cobras, prefiro entrar na jaula. Entre Kassab e Marta a minha opção seria o nulo, se eu não tivesse o mínimo de noção do poder do meu voto, mas como a tenho seria da perua o meu voto. Jamais quis que Kassab - um ser falso, sem graça e sem noção - chegasse onde chegou, até porque quem venceu nesta foi o Jose Serra e não ele. E imaginar que daqui a pouco o Serra possa chegar a Brasilia, me assusta muito.
Pena que estamos retrocedendo. Pena!
Falta memória ao povo brasileiro, mas ainda falta espirito esportivo. Nos EUA tem-se ideologia, ou se é democrata ou republicano, aqui não. Veja Eduardo Paes, o subprefeitinho que virou dono da cidade. Pra mim, continua um Cesar Maia no poder, só que Maia já era figurinha conhecida por sua incapacidade e mal-caratismo, Paes entra como esperança, uma esperança que eu não tenho mais… Gabeira era disparada a mudança pruma cidade tão linda que aos poucos tem deixado de ser maravilhosa.
Em Belo Horizonte, a falta de opção levou um lixo ao poder, apoiado pelo governador do nariz vermelho (preciso explicar?). Triste! Aecio é o governador playboy e agora temos um prefeitinho meia tigela numa cidade que tem tudo para ser grandiosa. Triste!
E nós gays, preconceituosos, perdidos e nada politizados que deveriamos estar a frente do nosso tempo só conseguimos pôr no poder a única bicha que nega ser bicha e não faz e nem fará nada pelas bichas: Kassab.
Conversava na sexta-feria com a querida amiga Daniela Bürguer comparando nossas distantes visões do Brasil e chegamos à estranha conclusão de que as pessoas meio que perderam a noção dos limites e até onde vai a própria liberdade (que a sociedade civil a duras penas reconquistou há coisa de 30 anos das mãos de governos militares, coisa que ainda não rola na China, ressalte-se). Ao mesmo tempo, vendo de longe, percebo que os brasileiros passaram a cultuar miticamente um bando de gente rastaqüera sem a menor relevância ou importância, ao mesmo tempo em que cai de pau em gente que, pela própria história e lista de realizações, merecia bem mais respeito (ao menos).
Daí a gente se perguntava se era isso mesmo: se os brasileiros - gays ou héteros - andavam mesmo agressivos, toscos, alienados e sem noção de limites ou estávamos acompanhando uma mídia que dá muito destaque ao que é ruim/frívolo/raso/bobo e pouco espaço ao que é bom/interessante/gregário/sofisticado. Hoje, recebi da Dani um e-mail com um desabafo do ator Marcelo Médici (que eu nem conhecia, a não ser de ouvir falar da peça “Cada um com seus pobrema”, que eu também não vi), mas que reflete com precisão nosso sentimento daqui desta lonjura. Olha só:
O FILHO DO POPOZÃO
“Dê qualquer tipo de poder a uma pessoa e descobrirá seu verdadeiro caráter. O poder pode ser uma arma, um cargo, um condição financeira, um botão que trave uma porta na entrada de um banco, um crachá, um computador onde você escreve o que quer.
Vivemos um tempo curioso… Gerações anteriores às nossas, lutaram muito para que pudéssemos usufruir da liberdade em vários aspectos. O que estamos fazendo com ela? Muitas vezes utilizando-a muito mal… As opiniões são colocadas de forma inconseqüente, os limites são ultrapassados, e o ser humano segue agindo de maneira punitiva.
Se alguém está na merda é porque merece, se está bem é porque não passa de um grande filho da puta. E todos vão julgando a todos, o tempo todo…
O julgamento faz parte do ser humano. Fico imaginando o quão bárbaras deveriam ser aquelas arenas em que imperadores definiam com os polegares pra cima ou para baixo o destino de uma pessoa. Dedão pra cima ela viveria, pra baixo morreria…
Será que vivemos um tempo tão diferente? O que passou na cabeça do tal do Lindemberg quando decidiu que Eloá, por não corresponder mais ao sentimento que ele nutria por ela, não era digna de viver? Acho que ele se coloca como vítima. No fundo, as pessoas que se consideram vítimas sempre tentam responsabilizar o outro por suas atitudes extremadas, inconseqüentes, irreversíveis.
Estive no Happy Hour e o psicólogo convidado falou muito a respeito da forma como as pessoas lidam com a frustração. O nome já diz tudo, e qualquer frustração é desagradável, mas precisamos aprender a lidar com ela. A forma com que lidamos com ela vai definir muito da nossa personalidade e da nossa “sanidade”…
Fico triste quando vejo alguém sendo desrespeitado, e quando é comigo muitas vezes relevo…
Hoje foi um dia em que vivenciei situações complicadas. Primeiro vi um funcionário de um estabelecimento humilhando outra pessoa. Claro que na cabeça dele, estava apenas “fazendo seu trabalho”… Mas me vi na obrigação de informá-lo que estava fazendo mal. Depois do espetáculo fui visitar a mãe de uma amiga no hospital e levei minha amiga que estava acompanhando a mãe, para comer um sanduba. Na lanchonete fomos cercados por algumas jovens e bonitas moças, que estavam bêbadas e perguntavam aos berros se eu era “famoso”, se eu era o Tuco da Grande Família… Eu calmamente respondi que não, eu não era o Tuco, o “filho do popozão”, mas elas continuaram berrando que eu era sim o Tuco. Se posicionaram ao meu lado e pediram ao garçom para tirar uma foto. Em nenhum momento perguntaram se eu consentia que fizessem isso. Como estavam bêbadas, empurraram a mesa, empurraram minha amiga que estava com a mãe hospitalizada há uma semana e voltaram à mesa delas. Continuaram berrando que eu era o Tuco e depois chegaram à conclusão que eu era o “retardadinho” da novela Belíssima. Enquanto elas devoraram seus sanduíches ficaram em silêncio, mas antes de irem embora voltaram e falaram mais um monte de bobagens. Seria cômico se não fosse trágico. Como eu estava no meio de uma conversa delicada com essa grande amiga, pedi que elas nos deixassem em paz, pois estava resolvendo um problema. Saíram aos berros, sugerindo que eu me fodesse.
Me senti um refém. Como agir numa situação dessas?
Fiquei pensando que pessoas como essas, fazem com que artistas tenham uma postura cada vez mais distante de qualquer tentativa de aproximação. Artistas podem ficar muito expostos a situações altamente agressivas como essa, e é óbvio que se defenderão cada vez mais. Esse é o grande ônus da profissão! E depois ouvimos toda hora que fulano é metido, cicrano é mal educado, e beltrano “se acha”, rs…
Você que está lendo esse texto, pode estar se perguntando: Mas você está se vitimizando! Não! As vítimas eram elas! Eu não era o Tuco, ora bolas… E não importa se você está com fome, com dor de dente, atrasado, com dívidas, se sua vó morreu. Experimente não corresponder à expectativa que alguém tem sobre você e o polegar vai pra baixo. As pessoas não estão perdendo a chance de humilhar os que estão abaixo, os que estão acima, os que estão no mesmo barco… É só ter a oportunidade.
Fui tirar meu visto e ouvi de um simpático senhor que ele achava que “global” não tinha que pegar fila… Pego fila com muito orgulho, por que teimo em acreditar que o ser humano tem tudo pra dar certo”.
A rainha da história da Branca de Neve, em seu devaneio narcisista, precisava de um espelho mágico para convencê-la de que ela era o que ela nao via quando se olhava no espelho - a mulher mais linda do mundo. Quando, um dia, o espelho não confirmou isso, ela - tirana e frustrada - lançou sua fúria contra quem tomou seu lugar.
O ser humano com auto-estima baixa também brinca de espelho. Ao olhar no espelho e não gostar do que vê, pega essa imagem refletida e projeta no mundo. Passa a ver - e odiar - no mundo aquilo que vê - e odeia - em si mesmo. E, pra incrementar a neurose, sente inveja de quem, ao contrário dele, “ousa ser feliz”.
Essa forma de compreender o comportamento humano encontra resistências, pois quem consegue facilmente assumir que tem, em si mesmo, aquilo que mais odeia nos outros?
Usemos um exemplo. Existe, na blogosfera, alguém que se diz gay e que gasta todas suas palavras falando mal de gays, sempre acusando-os de promíscuos (e desqualificando-os por isso). Olhando nos títulos dos seus posts mais recentes, encontramos “Por que alguém que foi infiel não deve ser perdoado?”, “Promiscuidade”, “Gay é um caso sério”, “Sofrimento”.
Ele também postou num “site coletivo” textos com suas idéias sobre a tal “promiscuidade gay”. A seguir, alguns trechos:
“O mundo gay é perverso. Noventa por cento dos homens são promíscuos.”
“Promiscuidade é sinônimo de mal-caratismo. Promíscuos fazem parte da mesma legião dos homicidas, ladrões, corruptos, estupradores e psicopatas, claro que em menor teor. Visto que promiscuidade é um defeito moral e de caráter, mas com fundamentos psicológicos.”
“Não digo aqui que os promíscuos sejam vítimas, visto que eles sabem muito bem o que fazem. O único problema deles é que para conseguir suas presas eles muitas vezes enganam, mentem, fazem outra pessoa sofrer. Nisto sim eles têm total culpa.”
“O mundo GAY é um mundo podre, desfalcado de caráter. Não generalizei, visto que eu tenho caráter, sou gay e conheço muitos caras que pensam como eu.”
“Existem pessoas que jamais serão felizes. Porque estas pessoas acham que podem saber tudo, conhecer tudo. O problema está na arrogância de sua trajetória na vida.”
“Também não digo que nunca fiquei por ficar, que nunca beijei por beijar, que não transei por transar. Embora isso nunca tenha se tornado um hábito.”
“Realmente é assim: o mundo gay é um universo de promiscuidade entremeado por raríssimas exceções, onde eu e alguns outros são exceções.”
É muito complexo o funcionamento desse mecanismo de auto-rejeição e sabotagem. Em um artigo, o psicólogo Fabrício Viana ajuda a entender como funciona essa ligação entre baixa auto-estima e homofobia internalizada.
- “É um absurdo investir tanto dinheiro público em teatros luxuosos e em piscinas aquecidas nos CEUs do fundão da periferia. Aqueles nordestinos não têm cultura e vão destruir tudo”. Chilique de uma especialista na área de saúde e estética.
- “Eu fico puto com estes corredores de ônibus. Gastei uma fortuna no meu carro e ele anda mais devagar do que os ônibus. Parece que a prefeita privilegia quem não tem carro”. Desabafo de um ex-gerente de uma multinacional do setor de alimentação.
As duas declarações absurdas, mas verídicas, revelam bem a visão mesquinha da chamada classe média paulistana. Foram dadas, com a maior franqueza, por vizinhos do bairro da Bela Vista, na região central da capital paulista, quando Marta Suplicy ainda era prefeita. Este comportamento tacanho talvez explique porque Gilberto Kassab, representante do que há de mais conservador na política, deu de goleada neste bairro, venceu o primeiro turno e, segundo as pesquisas, deverá se sagrar o vitorioso no pleito neste final de semana, salvando o oligárquico Demo da total falência.
As farsas paulistanas
O mapa de votação do primeiro turno mostra que Kassab venceu com folga nos bairros nobres e de classe média da cidade; Marta Suplicy só ganhou nos extremos da periferia. Já as pesquisas de segundo turno revelam que o demo tem 73% da preferência entre eleitores que ganham acima de 10 salários mínimos. Estes dados corroboram a triste história do maior centro econômico do país, que sempre apostou em farsas conservadoras. É certo que a visão elitista da classe média paulista é antiga e não deveria gerar surpresas. Mesmo assim, ela causa asco e revolta. Numa linguagem sarcástica, o jornalista Nirlando Beirão, editor da coluna Estilo da revista Carta Capital, lembra:
“São Paulo era contra Getúlio Vargas e a favor da oligarquia. Apoiou o populismo de Adhemar de Barros e inventou Jânio Quadros para a política. Vociferou contra Juscelino Kubitschek. Com as Marchas com Deus pela Família, preparou e apoiou o golpe militar de 1964. Revelou Maluf. Na eleição municipal de 1985, elegeu Jânio contra Fernando Henrique. Na primeira direta para presidente, elegeu clamorosamente Fernando Collor. FHC contra Lula? FHC duas vezes. Maluf contra Eduardo Suplicy? Maluf. Pitta contra Erundina? Pitta. Serra contra Lula? Serra. Alckmin contra Lula? Geraldinho. Serra contra Marta? Serra. Kassab contra Marta? Kassab… Quando Erundina venceu em 1988, não havia segundo turno. Em 2000, o eleitor correu para Marta só porque tinha se cansado da impagável dupla Maluf-Pitta. Exceções que confirmam a regra”.
Come mortadela e arrota caviar
Já o sociólogo Emir Sader avalia que São Paulo se tornou “o núcleo mais conservador do país, o estado mais odiado pelos outros estados, porque assume a imagem da ‘vanguarda econômica’, de discriminação em relação aos outros, pretendendo, desde FHC, assumir o espírito reacionário de 1932. Não por acaso se constitui no estado o pior da imprensa nacional – FSP, Estadão, Veja –, instrumentos de propaganda da oligarquia paulista… O bloco sócio-político da direita representa o egoísmo de quem resiste às políticas de distribuição de renda e de incorporação dos excluídos”.
A chamada classe média, que reproduz acriticamente a ideologia dominante, teria ódio a Lula, a Marta Suplicy e ao conjunto da esquerda. Para esta camada, que come mortadela e arrota caviar, Lula representa “o nordestino chegado a São Paulo pela expulsão das secas do nordeste, operário que se forjou politicamente na oposição à oligarquia, discriminado por ela, odiado hoje porque promove políticas de redistribuição de renda que acusam as oligarquias pelo que não fez quando foi governo e pela sua responsabilidade em fazer do Brasil o país mais desigual do mundo. O oposto a FHC, ídolo dessa classe média conservadora e da elite branca paulista”, fustiga Sader.
Decifra-me ou te devoro
O livro Classe média: desenvolvimento e crise, organizado pelo economista Marcio Pochmann, ajuda a decifrar o enigma deste segmento social, alvo da cobiça dos conservadores. Ele usa como referência conceitual de classe média “o conjunto demográfico que, embora com relativamente pouca propriedade, destaca-se por posições altas e intermediárias na estrutura sócio-ocupacional e na distribuição pessoal de renda e riqueza. Por conseqüência, ela termina sendo compreendida como portadora de autoridade e status reconhecidos, bem como avantajado padrão de consumo”.
Ele subdivide a classe em média/alta (executivos, gerentes e administradores), em média/média (ocupações técnico-científicas, postos-chaves da burocracia pública e privada) e em média/baixa (professores, lojistas, entre outros). Indica que este estrato social teve forte expansão no país em decorrência das mudanças no capitalismo brasileiro, com o fortalecimento do papel do Estado e o aumento do trabalho assalariado. “Sem a propriedade e a posse de alguns meios de produção, a nova classe média assalariada encontrou a diferenciação em relação à classe trabalhadora não apenas pela extremidade do rendimento, mas também pelo padrão de consumo elevado”.
Neoliberalismo e guinada à direita
Após seus anos de glória, porém, ela também foi vítima do tsunami neoliberal. “A partir da crise da década de 1980, com a adoção de medidas recessivas e choques inflacionários, seguidos, nos anos 1990, por políticas neoliberais de abertura comercial e financeira, a classe média sofreu as conseqüências da semi-estagnação econômica, do desemprego e queda de renda. A conseqüente perda de status da classe e as dificuldades crescentes do mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente de novas qualificações impactaram diretamente as suas aspirações de ascensão social”. A ofensiva neoliberal rompe o padrão de reprodução da classe média.
“Ganha ênfase o conjunto de ocupações vinculadas à existência de algum meio de produção e à posse de propriedade privada, como no caso dos micro e pequenos negócios ou das atividades autônomas”. As mudanças objetivas se refletem na sua subjetividade. “Segmentos importantes da nova classe média repudiam o Estado e jogam o peso da crise sobre o excesso de direitos e de ‘encargos sociais’… A nova classe média proprietária volta-se para o consumo das elites, mostrando-se profundamente reticente a qualquer forma de nacionalismo… Enquanto encolhe a renda da baixa e média classe média, a alta classe média ‘cola’ no processo de financeirização”.
“De um lado, a classe média que depende da expansão econômica, da prestação dos serviços públicos e sociais e da diversificação produtiva vê seu espaço de ação cada vez mais minguado; enquanto, de outro, uma nova classe média, ostensiva em seu padrão de consumo, aproxima-se da elite dominante e revela profundo escárnio em relação às potencialidades do desenvolvimento nacional. O motivo é evidente: a efetivação destas potencialidades implica a contenção e controle do seu modo de vida transnacionalizado e essencialmente anti-republicano… Será que a atual classe média realmente deseja que o país avance se isso lhe custar ceder alguns privilégios?”.
Aliada das elites dominantes
O livro lembra ainda que a classe média se beneficia das injustiças sociais, com diversos tipos de serviços pessoais – empregada doméstica, faxineira, segurança particular, babá, motorista – que estão disponíveis devido à abundância de mão-de-obra barata no Brasil. “Naturalmente, qualquer variação no status quo modificaria essa relação da classe média com a mão-de-obra abundante, tirando-lhe o proveito dos serviços pessoais e reduzindo a sua posição social hoje privilegiada”. Como conclusão, a obra chegava ao veredicto que explica a tendência eleitoral deste segmento:
“Esse quadro reforça a posição tradicional conservadora do grupo em luta pela manutenção das suas regalias. E isso torna a classe média uma aliada dos grupos dominantes do país, da ‘elite do poder’. Sendo assim, não é difícil de entender o verdadeiro sentimento de contradição que parece atravessar esse heterogêneo grupo social: de um lado, o sonho de modernidade, de progresso, de competência e de sucesso; de outro, o contato, o apadrinhamento, os serviçais, a aparência. É quase como o mito da caverna: alia-se ao discurso conservador em detrimento da compreensão mais profunda do país concreto e, por isso mesmo, só observa sombras da realidade”.
Cegueira beira a burrice
Nesta cegueira preconceituosa, a chamada classe média beira a burrice. Repete acriticamente as manipulações da mídia venal. Gosta de ouvir e ecoar os comentários dos colunistas mais elitistas e rancorosos, como Arnaldo Jabor, Diogo Mainardi, Boris Casoy, Lucia Hippolito, entre outros. Metida a esperta e informada, esquece facilmente que Celso Pitta devastou a capital e que tinha como seu principal secretário o atual candidato Gilberto Kassab. Sem memória, releva o sombrio período da ditadura, que hoje tem como herdeiros os oligarcas do demo (ex-PFL), escorraçados pelas urnas no país inteiro, mas salvos na “capital da modernidade”.
Egoísta e egocêntrica, ela não percebe que o país não se desenvolverá, inclusive alavancando as suas camadas médias, sem justiça social; que a miséria estimula a violência e criminalidade; que a barbárie acirra o apartheid social, com os presídios para os pobres e os condomínios fechados, cercados de segurança e câmeras, para os abastados. Ela se opõe às políticas públicas a serviço do conjunto da sociedade e depois reclama dos congestionamentos provocados pela “civilização do automóvel” privado. Critica o Bolsa Família, mas sonha com sua bolsa de estudo no exterior. Diz não ser racista e preconceituosa, mas cada vez mais se parece com a elite fascista da Bolívia.
Quando se é jovem, nos sentimos capazes de mudar o mundo. Mas na primeira tentativa de forçar esta mudança seguindo uma ideologia, descobrimos que não somos tão poderosos assim e logo o mundo nos comerá de vez, partindo das bordas para o talo. Quando menos esperamos, estamos sentados no lugar daqueles que um dia queriamos mover, ordenando, reptindo e fazendo o sistema girar, sempre da mesma forma, sem nenhuma mudança. E quando nos aparece na frente um novo revolucionario, apenas rimos e imaginamos que dentro em muito breve ele estará em nosso lugar: girando o mesmo mundo, da mesma forma.
Experimentei quando mais jovem uma pequena revolução. Meu lado revolucionário conseguiu mover todo uma “sociedade” (=colegas de minha classe na faculdade) para lutar contra um professor de Opinião Pública que não merecia estar no cargo. Consegui convencer a todos que saissem da sala de aula em revolta e assim forçamos a retirada do infeliz de nossa turma. Vitória! Pena apenas que a vitória da sala de aula, nunca foi visto nas urnas. Vejo Deus e Mundo berrando que estão com x mil problemas, querendo uma opção melhor que Kassab ou Marta, que isto ou aquilo não dá certo, mas não vejo nenhuma revolução radical da sociedade. E sabe por que? Porque o mundo precisa girar e girando ele não muda.
Lembro-me de um epsodio do Super-Homem, que afoito pela recuperação de sua amada, sonha em mudar o seu destino, revolta-se e faz o planeta girar ao contrário e assim conseguir poupar a vida de seu amor. O que queria, seria mais simples, queria um respiro, uma parada, uma reflexão e uma mudança, sem correções passadas. Não quero riscos vermelhos na História. O meu sonho é radical, sonho com novas possibilidades.
Um ato radical seria parar tudo no dia do voto e ninguém votar. Cancelamento geral. Nem Kassab, nem Marta. E a necessidade de se discutir a coisa seria definitiva.
Sonho, utopia, radical…
Então, se não podemos fugir do nosso dever, anular por anular e se manter sozinho e deixar que escolham por nós, é bobeira. Temos que sair e ir votar, mas pensando no que é menos pior para o futuro de nós como unidade, e não naquilo que nos interessa diretamente.
E pensar em todos como Um é tão utópico como sonhar com um Super Homem capaz de nos recuperar o passado para a sua devida correção. Isto seria mais real do que termos uma Sociedade pronta para pensar nela e não em seu próprio bem individual.
Com Kassab temos os medianos e afortunados, preocupados com seus dias corridos, contas caras e viagens a Nova Iorque; com Marta temos os pobres de lata d’água na cabeça, pedindo comida, sorrindo na esmola e no que é dado de imediato, felizes com o pouco, embora pouco, certo.
Prefeito honesto, justiça social… utopias. Então que Sampa tenha o menos pior.
Se fosse votar, o meu menos pior, neste momento, seria Marta Suplicy. Não por ela. Não pelo Lula, não pelo PT, mas para impedir que o Kassab e seu partidinho do Demo se fortaleça e no futuro vejamos novamente um mundo inundado por gente do mal.
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Estou sobre um precipio. No meio de uma ponte que irá desabar. Só posso seguir em frente ou saltar e acabar logo com a vida. Prefiro correr e sonhar que alcançarei o outro lado, não importa quem eu encontre por lá.
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Os dois textos acima não são defesas de uma ideologia, mas sim uma reflexão. Independente de escolha, leia e tire sua posição.
Por conta de uma inquietude trazida de berço sobre a vida ao redor, há anos eu acompanho blogs e sites sobre a rotina GLS no Brasil e no mundo. Mas uma coisa me deixa bastante intrigado sobre os blogs brasileiros: a virulência e os ataques em comentários sobre o tema em questão.
Eu tenho uma lista de blogs e sites que acompanho com alguma freqüência e uma coisa me chama a atenção de cara: a agressividade dos comentários brasileiros. É claro que no exterior um monte de gente detona sites e blogs por conta de razões variadas, mas os comentários nunca possuem um viés pessoal como os comentários no Brasil.
Querem um exemplo? Dia desses eu acompanhava uma saudável discussão sobre o eterno dilema “corpão x conteúdo” que assola nove entre dez debates nos sites gays brazucas. Mas o que parecia ser um debate civilizado sobre o tema acabou virando um cenário de ofensas pessoais entre grupos que se acusam de “cacuras recalcadas porque não são mais desejáveis” e “barbies débeis mentais vergonhosamente sem conteúdo intelectual”.
Tudo parece discussões entre esquerda e direita em sites políticos, nos quais vale mais desmerecer o debate e o debatedor do que efetivamente a defesa do seu ponto de vista. Será esse o resumo do dilema gay brasilero? Custo a crer. Somos, afinal, mais complexos que este tipo de questionamento? Somos!!!! E não me obriguem a reduzir a história GLS brasileira a este ridículo e raso questionamento intelectual.
Ontem, durante o capitulo (bem morno) de “A Favorita”, o personagem de Lilian Cabral, buscando ccomparar o ato bisbilhoteiro e intrometido da sociedade na sua ficticia cidade de interior sobre outros dois personagens, citou um dos mais fortes e marginais elementos de uma canção de Chico Buarque: Geni.
Geni pode ser um travesti, pode ser uma prostituta. Representa a liberdade, a libertinagem, o direito de ser o que se é, ou se deseja ser. Algo impossivel de imaginar perante olhos conservadores. Conservados em armários, com medo de se mostrarem como são, ou foram criados. Medo ou vontade de se manter segredo e sob pele de cordeiro.
Jogar pedra na Geni fica mais fácil. Exorciza-se a si próprio, prova-se a repulsa com quem ousa ser honesto e condena-se os corajosos.
Mas as grandes revoluções não estariam nas mãos das Genis da História?